sábado, 6 de junho de 2009

Achado arqueológico sugere que lepra surgiu na Índia há cerca de 4.000 anos

Apesar de a hanseníase, mais conhecida como lepra, conviver com o homem desde a Antiguidade, sua origem ainda é motivo de disputa. Estudos genéticos apontavam para o sul da Ásia ou leste da África como berço do germe causador da doença.

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Pesquisadores americanos, trabalhando em colaboração com colegas indianos, fizeram uma descoberta que pode resolver a questão. Foi descoberto um esqueleto do segundo milênio antes de Cristo, no estado do Rajastão (Índia), com sinais característicos da lepra. Até hoje as evidências arqueológicas colocavam o caso mais antigo no Usbequistão, datado de mil anos antes de Cristo.

O esqueleto descoberto na Índia pertenceu a um homem de meia idade que apresentava alterações na face, articulações e ossos das pernas e braços típicas da lepra. Mesmo quando foram testadas outras hipótese diagnósticas, essas não foram confirmadas. Os testes para determinação da idade da ossada colocaram nosso paciente vivendo há mais de 4 mil anos.

A lepra é uma doença causada por um germe chamado de Mycobacterium leprae, que atinge principalmente a pele a os nervos. A doença tem tratamento eficiente com medicamentos baratos e em seis meses o paciente está curado. O diagnóstico é simples e agentes comunitários podem ser treinados para encaminhar casos suspeitos ao sistema de saúde.

Apesar de tudo isso, cerca de 250 mil pessoas em todo o mundo ainda têm lepra. O Brasil está entre os 9 países responsáveis por 75% dos casos do mundo. O Ministério da Saúde brasileiro registrou, em 2006, 100 mil pacientes de lepra. Diante disso tudo, fica evidente a incapacidade humana em lidar com as doenças, mesmo as conhecidas há muito tempo.

Luis Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN.

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Pesquisas trazem resultados conflitantes sobre antidepressivos e droga anticâncer

Dois trabalhos científicos, apresentados no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, apresentaram resultados conflitantes avaliando a relação entre o tamoxifeno e os antidepressivos.

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O tamoxifeno é um medicamento utilizado em associação com a quimioterapia para câncer de mama. Ele funciona bloqueando a ação do estrogênio, um hormônio feminino. Uma parte dos tumores malignos da mama são sensíveis ao estímulo hormonal pelo estrogênio. O tamoxifeno é prescrito para a prevenção da recidiva, ou seja dos tumores já tratados, bem como prevenção em casos de pacientes em alto risco de desenvolver esse tumor.

Em uma situação bastante comum, as pacientes que utilizam o tamoxifeno sentem as manifestações da menopausa com muita intensidade em alguns casos. Nas mesmas pacientes, o uso de antidepressivos também é relativamente frequente. O tamoxifeno, em seu processamento dentro do corpo humano, necessita da ação de uma enzima chamada de CYP2D6. Alguns medicamentos antidepressivos têm a capacidade de interferir no metabolismo do medicamento, podendo diminuir sua eficácia.

Uma das pesquisas apresentadas, realizada pela Universidade de Indiana, avaliou mais de 1300 mulheres sobre o uso de tamoxifeno e antidepressivos. Os antidepressivos eram da classe dos inibidores de recaptação de serotonina e eram prescritos para depressão e para aliviar os efeitos dos sintomas da menopausa.

As participantes do estudo foram divididas em dois grupos, de acordo com a intensidade de inibição do antidepressivo sobre a enzima CYP2D6. Os resultados mostraram que as mulheres que usavam os antidepressivos de moderados a potentes, quando comparadas às que usavam somente o tamoxifeno, tinham um risco 2.2 vezes maior de recorrência do câncer.

O outro trabalho, realizado na Holanda, mostrou um resultado diferente do anterior quando avaliando também um grupo de mulheres que usavam tamoxifeno e antidepressivos: não encontrou diferenças nas taxas de recorrência do tumor entre os dois grupos. Diante disso, os médicos e pacientes que estiverem diante nessa situação devem discutir abertamente as opções existentes de tratamento e escolhas.

Luis Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN.

Sipam aponta redução no ritmo do desmatamento em reservas no Acre

Entre 2007 e 2008, devastação desacelerou 67,84%. Ainda assim, sistema mediu destruição de mais de 47 km² em 2008
A velocidade do desmatamento em reservas indígenas e unidades de conservação ambiental estaduais e federais no Acre caiu 67,84% da temporada 2006-2007 para a 2007-2008, aponta monitoramento realizado pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). Segundo o
levantamento, as terras indígenas, que tiveram redução de 88,43% foram as que tiveram maior desaceleração.Ao todo, no último ano, foi registrada a destruição de 47,83 km² de florestas nos três tipos de reserva. Entre as unidades de conservação estaduais, a mais devastada no último ano foi a Floresta Antimary, que perdeu 7,28 km². A unidade federal mais destruída no
saiba mais mesmo período foi a Reserva Extrativista Chico Mendes (11,8 km²). Já a terra indígena mais desmatada no estado entre 2006-2007 e 2007-2008 foi a Kaxiwaná do Rio Jordão (1,07 km²). No total histórico acumulado, as reservas acreanas, segundo o Sipam, já perderam 1594,1 km² (pouco mais que a área do município de São Paulo. A Reserva Extrativista Chico Mendes, unidade mais desmatada entre todas as categorias no levantamento do Sipam, sofre com a criação de gado. No final do ano passado, uma fiscalização do Ibama tentou coibir a derrubada da mata para criação de gado na reserva.

Na época, o sindicato dos seringueiros que ali vivem argumentou que a criação de bois era necessária para complementar a renda, já que os preços dos produtos extrativistas - no caso, castanha e borracha – seriam muito baixos para a subsistência dos moradores.

Cientistas descobrem nova espécie de cobra-de-duas-cabeças no Cerrado

Animal, nativo de Goiás, apareceu durante obras de usina hidrelétrica.Anfisbênios são grupo ainda pouco estudado de répteis.


A construção de uma hidrelétrica no sudoeste de Goiás acabou trazendo à superfície uma nova espécie de cobra-de-duas-cabeças, ou anfisbênio. Esses répteis, que passam a maior parte de sua vida debaixo da terra, ainda são relativamente misteriosos para os biólogos, e sua diversidade ainda é pouco conhecida -- tanto que muitas outras espécies ainda podem estar esperando para serem descobertas.



Em regiões mais quentes eles parecem ser de difícil acesso, havendo poucos registros de encontros ocasionais para muitas das espécies de anfisbênios. Em lugares nos quais alguns meses do ano são mais frios, é possível encontrá-los mais facilmente perto da superfície para tentar se aquecer. No entanto, obras grandes para construções ou para abertura de áreas para plantio estão revelando animais desconhecidos com frequência no Cerrado e na Caatinga", contou ao G1 a bióloga Síria Ribeiro, doutoranda da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

Ribeiro e seus colegas Alfredo Santos-Jr., também da PUC-RS, e Willian Vaz-Silva, da Universidade Federal de Goiás, descreveram formalmente o novo réptil em artigo na revista científica "Zootaxa". A criatura ganhou o nome de Leposternon cerradensis por ser, por enquanto, o primeiro membro de seu gênero, o Leposternon, a ser encontrado apenas no Cerrado. Os pesquisadores ainda não têm dados precisos sobre as profundidades que ele habita, sua dieta (provavelmente composta por pequenos insetos também subterrâneos, como formigas, cupins ou larvas deles) ou mesmo sua distribuição geográfica.

"Normalmente, o que acontece é que, quando a terra está sendo escavada durante determinada obra, os bichos são encontrados. Também pode acontecer de eles subirem à superfície quando o reservatório de uma hidrelétrica está se enchendo", fugindo da água, explica Ribeiro. Por isso mesmo, os biólogos acabam dependendo de um golpe de sorte (ou de azar, levando em conta a bagunça no habitat do animal) para conseguir observar as criaturas.

Foi Vaz-Silva, que acompanhava a construção da Usina Hidrelétrica de Espora no município de Aporé (GO), o responsável por recolher os espécimes da cobra-de-duas-cabeças durante um procedimento de resgate de fauna. "Ele me mandou as fotos e eu logo notei que se tratava de um bicho novo, porque morfologicamente ele é muito diferentes das outras espécies de Leposternon", diz a bióloga da PUC-RS.

Cabeças
Ribeiro explica que "cobra-de-duas-cabeças" está longe de ser um nome popular adequado. "Na verdade a cabeça verdadeira é bem característica. O problema é que as pessoas têm tanto medo de serpentes e assemelhados que não conseguem olhar direito", brinca. Bobabem: para humanos, os anfisbênios são inofensivos. Na verdade, o que confunde o observador casual, diz ela, além da leve semelhança no formato das duas extremidades, é o fato de que a locomoção do animal envolve o movimento de ambas as pontas do corpo, de forma que a cauda pode dar a impressão de ser a cabeça.

A nova espécie tem uma conformação especial da cabeça que faz com que ela funcione como pá, escavando o caminho adiante no subsolo. As principais diferenças do bicho em relação a seus parentes próximos estão em detalhes como as escamas da cabeça, nos chamados poros pré-cloacais e no número de meio-anéis dorsais e ventrais e anéis caudais que recobrem o corpo.

Os poros, como o nome diz, ficam perto da cloaca (abertura que, nos répteis, serve para todas as funções fisiológicas, como expelir urina e fezes e copular). "Não temos dados diretos sobre a função dos poros nessa espécie. Mas, em outros anfisbênios, estudos morfológicos indicaram que eles podem estar relacionados com a comunicação entre indivíduos da mesma espécie e de espécies distintas", diz Ribeiro.

A cor rosada do bicho não significa que ele seja albino, explica ela. "Ainda não sabemos muito a respeito disso, mas o Leposternon cerradensis compartilha com as demais espécies com poros a ausência de coloração escura, e essas espécies estão presentes, principalmente, em áreas abertas, podendo a coloração estar relacionada com o solo utilizado ou até mesmo um determinado ambiente", afirma a bióloga. É mais um mistério ainda não-elucidado sobre os anfisbênios, como o de sua distribuição geográfica -- ninguém sabe se as espécies encontradas num só lugar até hoje, como a nova, são mesmo únicas daquela região ou apenas muito discretas e comuns em outras.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Novo fóssil lança luz sobre origem dos grandes macacos e do homem


Pesquisadores liderados por Salvador Moyà-Solà, da Universidade Autônoma de Barcelona, descobriram e descreveram uma nova espécie de primata extinto que pode trazer nossos dados sobre a origem dos grandes macacos (orangotangos, gorilas e chimpanzés) e do homem. O bicho de 12 milhões de anos, batizado de Anoiapithecus brevirostris, tem características anatômicas que o ligam, em parte, aos ancestrais diretos dos grandes macacos, mas também a primatas menores e mais primitivos. Uma vez que o animal foi achado na Espanha, a descoberta daria mais peso à hipótese de que os grandes macacos surgiram na Europa e na Ásia e só mais tarde teriam ido para a África. A análise está na revista científica americana "PNAS".

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Atlantis pronta para lançamento, após levar uma pequena pancada
Acidentes acontecem. Ninguém sabe disso melhor que os funcionários da NASA. Lá, os menores incidentes exigem investigação minuciosa, que pode se tornar a diferença entre a vida e a morte. Nesta semana, o problema foi um soquete de três centímetros de uma chave de torque. O soquete se soltou e caiu de uma plataforma, colidindo com os radiadores da porta de cargas da Atlantis. O incidente ilustra o cuidado cada vez maior com que engenheiros e técnicos preparam um ônibus espacial para a decolagem.
Exames mostraram que o impacto do soquete não causou danos graves. O relatório indicou que o amassado não precisaria de reparo. O episódio ocorreu durante as operações de rotina da NASA na Atlantis, que deve levantar voo no próximo dia 12 de maio. Essa viagem servirá para concluir reparos programados na manutenção do telescópio espacial Hubble.
O relatório, porém, será revisto quando os administradores do ônibus espacial se reunirem novamente nesta sexta para mais uma discussão sobre o possível adiamento da decolagem da Atlantis. Questões de segurança são encaradas com muita seriedade nessa organização. Todos sabem que as vidas da tripulação e o sucesso da missão são mais importantes que qualquer tipo de pressa.
Diante do provável encerramento do programa de ônibus espaciais, muitos acreditam que essa será a última viagem da Atlantis. Convido a todos os que nunca testemunharam a majestade de uma decolagem de ônibus espacial a aproveitar essa oportunidade, se puderem.
Foto: NASA